sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Sunset Overdrive

'Sunset Overdrive' é melhor game dos consoles de nova geração

Jogo do Xbox One diverte com playground punk rock pós-apocalíptico.

Game tem movimentação feroz, arsenal excêntrico e abuso de referências.

'Sunset Overdrive' é melhor jogo da nova geração de videogames

Buscar identidade, ser meio revolts, amar aquela banda nova (que ninguém nunca ouviu falar). Ser adolescente é quase sinônimo de sonhar e exagerar. E é por canalizar tão bem esse espírito jovem e impulsivo que não é demais afirmar que "Sunset Overdrive", exclusivo do Xbox One, é até agora a melhor produção dos videogames de nova geração.

Fruto da mente da Insomniac, estúdio que traz no currículo as séries "Ratchet & Clank" e "Resistance", exclusivas da família PlayStation, "Sunset Overdrive" é um culto ao seu eu frustrado. O carinha que os pais proibiram de sair com os amigos numa sexta-feira solitária, que ficou sem grana para ir no show, que fazia de tudo pela menina, mas ela ainda assim ligava para os populares – solta "I'm the One" do Descendents, DJ.
A começar pela história. Seu personagem é um zé ninguém na psicodélica Sunset City quando uma bebida energética transforma a população em mutantes. Sobrevivente improvável (sim, o bombadinho morreu), você se transforma no herói de um playground punk rock pós-apocalíptico e precisa enfrentar humanos, robôs e ODs – "overdrive drinkers", ou bebedores de overdrive (o tal do energético), mas que no jargão do inglês significa overdose. Apropriado, já que a falta de noção é uma das marcas de "Sunset Overdrive".
Review Sunset Overdrive 1 (Foto: Divulgação/Microsoft)

Depois tem a forma como você se move e luta pelas ruas e prédios de Sunset City. Esqueça qualquer encheção de linguiça sobre sobreviver em uma cidade em ruínas: aqui, a parada é atirar primeiro e perguntar depois, é meter o pé na porta e arrebentar a porr... toda. Tudo isso enquanto você baixa o espírito Daiane dos Santos e corre, pula, caminha pelas paredes e desliza por cabos na boa. Dar bobeira no chão é pedir para os monstros te comerem vivo, então é obrigatório ficar se movendo e em terreno alto.
Graças ao bem bolado eficiente de "Tony Hawk's" (as viúvas agradecem) com um pouco de "Jet Set Radio", a noção de força de "Prototype" e a leveza do parkour de "Assassin's Creed", cruzar os cenários atirando em todo mundo é fácil, incrível. E muito divertido. Em meros segundos você vai do nível da rua ao topo de um prédio – aprende, "Infamous". Com poucos toques de botões, dá para sair de baixo de um fio de telefone, ganhar impulso vertical e cair batendo com tudo. É uma sensação monstruosa de liberdade.
A vasta geografia de Sunset City também ajuda "Sunset Overdrive" a criar combates taquicardíacos. Enquanto você faz "grind" sobre um grupo de ODs, a melhor opção é o lança-foguetes de ursos de pelúcia. Mas daí surge um inimigo grandão, e taca-lhe o arpão Ahab – arma batizada pelo pescador de Moby Dick para causar dano individual, chamar a atenção dos mais fracos e criar tempo para chegar no trampolim do outro lado. De lá, os últimos dos moicanos são finalizados com o arremessador de discos de vinil, de propriedades ricocheteadoras. Do energético laranja eles vieram, e ao energético laranja eles voltarão.
Review Sunset Overdrive 2 (Foto: Divulgação/Microsoft)
Mas "Sunset Overdrive" não deve ser visto assim, fragmentado. A movimentação feroz. O arsenal excêntrico. A explosão de cores de dar inveja nos marqueteiros da Sukita. O game fala avalanches de palavrões (que podem ser bloqueados), esbanja atitude rebelde e abusa na irreverência de suas referências porque pode e quer. Essa é uma impressão bem forte ao longo da partida. Antes de mais nada, a Insomniac jogou no lixo convenções de narrativa, de arte e de gameplay porque quis fazer "o jogo" que reverberasse tudo que a empresa gosta. "O jogo" que ela, quando "adolescente", talvez não tenha conseguido criar. Assim como você, naquela matinê, não teve a coragem de chegar na sua paixãozinha. Mas aqui isso não é mais problema.
Quando você morre, por exemplo. As animações de renascimento imitam e satirizam filmes como "Exterminador do Futuro", "Bill & Ted" e "Missão Impossível". Se você cai do alto em uma missão, volta da onde estava com uma brincadeira envolvendo o game "Portal". Detalhes como esses mostram a preocupação da Insomniac em bajular o jogador, o verdadeiro astro dos videogames, e não chatear. É legal, é sincero e é engraçado demais. E vale notar que a experiência chega intacta aos jogadores brasileiros graças à dublagem nacional, que localiza com consciência várias gírias e usa vozes conhecidas do público.
Já o modo de personalização de "Sunset Overdrive" é transviado e despido de juízo de valor, pois pouco importa o sexo, o tamanho do corpo ou a cor de pele que você escolheu no início. Tudo pode ser posto a baixo e refeito usando centenas de cortes de cabelo, roupas e acessórios, que vão do cômico ao bizarro e não distinguem homem de mulher. É possível deixar salvo até nove trajes diferentes. Assim você pode trocar rapidamente entre o rapaz com a fantasia vermelha de macaco, a assassina gótica que usa um capacete de urso panda e o bobo da corte (baseados em personagens reais).
Review Sunset Overdrive 3 (Foto: Divulgação/Microsoft)
Logicamente, isso não atrapalha a história ou a.... imersão. Tudo é abertamente um faz de conta. Pensar em um avatar do zero a cada punhado de roupas novas é prazeroso e possibilita diferentes manifestações de personalidade de uma só vez. Felicidade tremenda. Mas o mais interessante talvez seja a desassociação entre as habilidades do herói e o equipamento que ele usa. Se você gosta da máscara de gás e não quer usar o recém-obtido chapéu de samurai, tudo bem: um não é mais forte que o outro.
Toda a parte de atributos de "Sunset Overdrive" recai sobre o estilo de jogo de cada um, o nível das armas e os chamados "amps", que alteram alguns efeitos sobre o herói. Quanto mais você agir de uma forma, mais você fica melhor nela, e essa é uma forma justa de não torrar com estatísticas chatas e ainda assim premiar os criativos – quanto mais variedade nas lutas, mais forte você fica.
"Sunset Overdrive" supera as expectativas e se prova um game dinâmico, espirituoso e de bem com a vida. Após se adaptar ao ritmo do jogo, correr e pular pelos cenários coloridos e vertiginosos de Sunset City se torna incrível e uma extensão dos anseios mais radicais dos jogadores. E cumprir as missões sempre é empolgante graças à criatividade das missões, que também transgridem alguns preconceitos vistos em outros games de mundo aberto.
O tom irreverente quase sempre acerta e ajuda a criar uma obra poderosa que homenageia e satiriza as culturas do videogame, do cinema, da música e das HQs. Mas acima de tudo, coloca o jogador no centro das atenções. Ele tem de se divertir, e é isso que acontece. "Sunset Overdrive" nasceu como azarão, mas se tornou garanhão. É uma das experiências mais revigorantes dos últimos anos.
http://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2014/10/g1-jogou-sunset-overdrive-e-melhor-game-dos-consoles-de-nova-geracao.html

‘Overwatch’ é game de tiro divertido, competitivo e viciante

Quanto mais se joga novo jogo da Blizzard em 17 anos, mais se quer jogar.
Game terá versões para PC, mas não há data de lançamento.



Por essa ninguém esperava, nem mesmo a internet. Os vazamentos de games e de filmes desta vez não atingiram a Blizzard, que por quase dois anos desenvolveu “Overwatch” sem o mundo saber. Surpreendentemente também é o jogo ser de tiro em primeira pessoa, gênero em que a empresa nunca havia investido. Mesmo sem “experiência”, a criadora de games de sucesso como “World of Warcraft”, “Diablo” e “StarCraft” acertou em cheio em sua primeira franquia em 17 anos. Quanto mais você joga, mais você quer jogar

"Overwatch” é um game de tiro on-line em que seis jogadores constituem uma equipe para enfrentar outro time de igual número. Podem escolher entre uma dezena de personagens com habilidades únicas. Você já deve ter visto games com estas características, mas, como estamos falando de um game da Blizzard, o nível de qualidade é muito acima. A empresa buscou fugir de todos os seus jogos lançados. Procurou um visual mais cartunesco, o que lembra um filme da Pixar. Apostou também em confrontos recheados de estratégia.
Os personagens são todos carismáticos e cheios de personalidade – tal qual os dos filmes da Pixar – e devem fazer parte de histórias assim como seus irmãos mais velhos do jogos da empresa. Logo após o anúncio oficial, a rapidinha Tracey dispara entre as favoritas devido ao seu jeito de agir e falar. Apesar disso, dentro do game, eu prefira Pharah, que usa uma armadura fortíssima, lança granadas e pode voar. Winston, o gorila inteligente, que tem como papel defender seus colegas durante a batalha, mas também usar sua força para atacar também, já está entre os favoritos. No combate, cada um tem sua característica e sua personalidade, o que é mostrado na tela de seleção de heróis. Eles são divididos entre personagens de Assalto, Defesa, Tanker e Suporte.
Difícil de virar mestre
A filosofia da empresa de criar "jogos acessíveis a todos, mas difíceis para se tornar um mestre”, funciona perfeitamente em “Overwatch”. Jogar é fácil até para quem não tem experiência no gênero de tiro em primeira pessoa. Os comandos são simples e mirar é muito preciso, independentemente do personagem escolhido. Aprender habilidades destes heróis e saber quando usá-las exigirá muito treino.
A empresa tem seus méritos em criar um game bom e viciante, mas não se pode deixar de citar que “Overwatch” buscou inspiração em jogos de sucesso atuais. “Unreal Tournament”, “Team Fortress” e até “League of Legends” ecoam no novo título. No caso do primeiro, a inspiração é o ritmo das partidas. No do segundo, as características de cada personagem que devem atuar conforme suas habilidades. No terceiro, os poderes que devem ser recarregados durante um determinado tempo da batalha. Cabe ao jogador administrá-los.
Outra característica similar ao “LoL” é o uso dos personagens para criar estratégias na arena de combate. Vale lembrar que não há restrição de que personagem pode ser escolhido – é possível montar um time todo de Traceys. Um plano que deu certo durante os testes foi usar o Bastion para ficar na forma fixa e protegida por um campo de força enquanto o gorila Winston se prepara para abater quem vier. Pharah deve avançar ao território adversário e impedir os inimigos de avançarem, enquanto Tracey acompanha com sua velocidade.
Sem previsão
Os cenários são bem construídos para proporcionar um combate equilibrado ao atacar os pontos principais da fase. O diretor do game, Jeff Kaplan, disse ao G1 que o game terá fases ao redor do mundo e que o Rio de Janeiro pode aparecer no game, embora ainda seja cedo para confirmar qualquer coisa.
Embora viciante e quem testou o game já torça para que ele seja lançado logo, há muito o que esperar. Não se sabe se ele será exclusivo para PC – embora jogos de tiro em primeira pessoa tenham os consoles como sua principal casa – e também se será gratuito. E como os jogos da Blizzard têm ciclos de desenvolvimento longos, ainda vamos ficar muito tempo sonhando em jogar “Overwatch”.
http://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2014/11/g1-jogou-overwatch-e-game-de-tiro-divertido-competitivo-e-viciante.html

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